Conheça a incrível história do basquete no Brasil
Basquete

Conheça a incrível história do basquete no Brasil

Escrito por Unisport Brasil

Como brasileiro e educador físico, você conhece a história do basquete no Brasil? Nosso país ainda está longe de ser uma potência olímpica e nossos governantes não fazem investimentos adequados em esporte, no entanto, não é raro encontrar no país gerações de atletas talentosos e grandes treinadores. Ao longo da trajetória esportiva brasileira profissional, conseguimos formar equipes extraordinárias em várias modalidades. O basquete é um desses casos.

Você pode até não saber, mas temos diversos jogadores brilhantes no esporte e muitos atuam inclusive em ligas poderosas, como a NBA, nos Estados Unidos. Quer aprender um pouco mais sobre o tema e descobrir como tudo isso começou? Então, não deixe de conferir o conteúdo que preparamos e acompanhe os próximos tópicos!

A origem do basquete no Brasil

Augusto Shaw foi quem trouxe o basquete para o Brasil. Nato de Nova York, o americano teve o primeiro contato com a modalidade em 1896, após completar o curso de Artes na universidade de Yale. Pouco tempo depois, Shaw aceitou um convite inusitado: lecionar na tradicional Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Na mudança ao Brasil, o recém-graduado trouxe livros, obras de artes e uma bola de basquete.

Na época, o professor passou por alguns problemas ao introduzir a modalidade na escola brasileira. As mulheres logo se apaixonaram pelo esporte e começaram a praticá-lo, porém, os homens não viam a modalidade com o mesmo entusiasmo por diversos motivos. Um deles era o fascínio e a predileção pelo futebol.

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Com muita persistência, Shaw finalmente conseguiu convencer os homens de que o basquete era um esporte para todos os gêneros. Com a aceitação por parte dos rapazes, o professor considerou a ideia de montar a primeira equipe de basquete no Brasil para incentivar a categoria masculina. Foi então, que, em 1896, nasceu a equipe Mackenzie College.

Shaw continuou seu trabalho com o basquete na tentativa de difundir o esporte pelo Brasil. Em 1939, o professor morre, deixando seu legado para dois amantes da modalidade: Oscar Thompson e Henry J. Sims.

Inclusive, foi no Rio de Janeiro que ocorreu o primeiro torneio de basquetebol no Brasil, em 1912. Dessa data em diante, o esporte evoluiu, passando a ser adotado por diversas escolas e clubes da região.

Em 1915, o primeiro livro de regras foi traduzido para o português, facilitando, assim, a compreensão dos adeptos da modalidade. No mesmo ano, a Associação Cristã de Moços (ACM) organizou o primeiro torneio da América do Sul. Com o sucesso do evento, outras escolas e agremiações resolveram replicar a competição, até que, em 1919, o primeiro campeonato, oficializado pela liga, consagrou o basquete no Brasil.

Em 1922, foi realizada a primeira convocação da seleção brasileira para disputar o torneio continental que, inclusive, foi ganho pelo Brasil. Em 1933, o esporte se firmou de vez com a fundação da Federação Brasileira de Basketball, em 25 de dezembro, no Rio de Janeiro.

Grandes ídolos do passado

Oscar

Indiscutivelmente, Oscar Daniel Bezerra Schmidt é o maior atleta de todos os tempos do basquete brasileiro. Recordista mundial de pontos (com incríveis 49.737 na carreira) e nome de destaque na modalidade, o “Mão Santa” é um verdadeiro ícone. Seu talento, perseverança e carisma incomparável atravessam gerações.

Para muitos, o maior feito do atleta foi liderar a vitória sobre a equipe nacional dos Estados Unidos nos Jogos Pan-Americanos de 1987, fato inédito até então. Mais do que merecido, em setembro de 2013, Oscar Schmidt entrou para o Hall da Fama do basquete dos EUA.

Ubiratan

Ubiratan Pereira Maciel é outro atleta brasileiro cujo nome está presente no Hall da Fama da FIBA: a Federação Internacional de Basquete. Embora o atleta tenha falecido precocemente, aos 58 anos, em 2002, ele é muito lembrado na modalidade por ter sido um dos primeiros ícones de seleção brasileira.

Entre outros inúmeros títulos ao longo da carreira, ele conduziu a equipe ao histórico título mundial de 1963 e também à medalha de bronze dos Jogos Olímpicos de Tóquio no ano seguinte. Ubiratan também foi ídolo do Corinthians, do Sírio e do Palmeiras, entre muitos outros times. Extremamente talentoso, ele deixou a sua marca no desporto.

Leandrinho

O paulistano Leandro Barbosa é um ala armador que já passou por dois grandes clubes brasileiros: Palmeiras e Bauru, até ser convidado a jogar na famosa liga americana pelo Phoenix Suns. Lá, em 2007, foi eleito o Melhor Sexto Homem da NBA (Sixth Man of the Year Award), figurando como único brasileiro a atingir o feito.

LB, como é conhecido nos EUA, já passou pelo Toronto Raptors, Indiana Pacers, Boston Celtics e Washington Wizards até chegar no Golden State Warriors, onde conquistou o almejado título da NBA de 2015. Barbosa foi o segundo brasileiro a ganhar um título da liga americana.

Hoje, o atleta atua na NBB pelo Franca. Com a versatilidade, talento e experiência que detém, certamente, agrega muito à equipe brasileira e, quem sabe, poderá até mesmo conduzir o time à conquista do campeonato nacional.

Janeth

Na grande conquista do basquete feminino do Brasil no mundial de 1994, a atleta foi mais do que uma coadjuvante — Janeth foi a cestinha da competição. A brasileira tem quatro Olimpíadas em seu currículo, sendo que, em duas delas, o Brasil subiu ao pódio. A primeira conquista aconteceu em 1996 na cidade de Atlanta, em que a armadora contava com a companhia da rainha Hortência e da Magic Paula.

Com o talento de Janeth, aliada à garra e juventude de outras atletas, o Brasil conquistou o bronze na Olimpíada de Sidney em 2000. Seu alto desempenho a fez entrar no centro do basquete mundial, WNBA (versão feminina da NBA). Por lá, foram sete anos e quatro títulos, jogando pelo Houston Comets. Janeth foi tetracampeã da liga norte-americana (1997, 1998,1999 e 2000). A atleta foi a primeira brasileira a atuar em quadras americanas.

Em 2007, a paulistana decidiu se despedir do esporte. Escolheu o Pan-Americano do Rio para disputar sua última competição. Em 2014, Janeth entrou oficialmente para o Hall da Fama do basquete feminino.

Paula

A paulistana Maria Paula Gonçalves da Silva foi, sem dúvidas, a melhor jogadora de todos os tempos do basquete brasileiro, acompanhada da memorável Hortência.

Magic Paula, como era conhecida (referência ao Magic Johnson), atuou 95% da sua carreira no Brasil. Houve um período em que a jogadora foi para a liga espanhola, porém, devido à dificuldade de adaptação ao estilo de jogo e a uma lesão no joelho, a atleta se viu obrigada a retornar ao BCN de Piracicaba em 1991.

Paula escreveu seu nome na história do basquete feminino atuando pelo Brasil. Durante anos de dedicação a jogadora conquistou:

  • prata nos jogos Olímpicos de Atlanta de 1996;
  • ouro no mundial da Austrália de 1994;
  • ouro nos jogos Pan-Americanos de Havana de 1991.

Em Havana, a seleção brasileira disputou a final com as anfitriãs cubanas. Nesse jogo, a estrela de Paula brilhou. No segundo tempo, dos cinco arremessos de três pontos feitos, a atleta anotou quatro. Por conta de seu desempenho excepcional, a seleção superou a equipe de Cuba pelo placar de 97 a 76.

Durante a premiação, Fidel Castro brincou com a atleta, pedindo para que Paula virasse de costas para, então, apontar para camisa da jogadora e fazer um gesto negativo com o dedo, como se não quisesse entregar a medalha. Tudo em tom de brincadeira, porém, o fato curioso ficou marcado na história e na memória dos brasileiros que celebravam a vitória.

A atleta chegou a jogar ao lado da Hortência pela Ponte Preta, onde conquistaram o mundial de clubes, mas, após algumas divergências, Paula saiu da equipe. Em 2006, no Tennessee, a brasileira foi oficialmente confirmada no Hall da Fama do basquete feminino.

Hortência

Como não poderia deixar de ser, Hortência também tem o seu nome no Hall da Fama e é parte integrante da incrível história do basquete no Brasil. Ela elevou o nível da modalidade feminina e foi responsável por levar um grande público aos ginásios nos anos 90, especialmente, por conta da sua rivalidade dentro de quadra com a talentosa parceira de seleção Paula.

Entre os inúmeros feitos de destaque da atleta, podemos ressaltar a participação na campanha vitoriosa da equipe brasileira no mundial da Austrália em 1994. Entre outras façanhas, estão:

  • medalha de prata na Olimpíada de Atlanta, em 1996;
  • medalha de prata nos Jogos Pan-americanos de Indianápolis de 1987.

Basquete feminino

Aproveitando o ensejo por falar do mito Hortência, vamos contar um pouco da história do basquete feminino no país. O primeiro resultado de destaque mundial aconteceu em 1971 no mundial do Brasil, quando a seleção conquistou a medalha de bronze, ficando atrás apenas da Tchecoslováquia e da campeã União Soviética.

Foi em 1994 que a incrível geração de Janeth, Paula e Hortência conquistou o primeiro lugar no pódio no mundial, batendo, inclusive, a grande potência na modalidade: os Estados Unidos. Na final dos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, ficamos com uma honrosa medalha de prata, pois as americanas entraram em quadra dispostas a darem o troco.

Outras láureas de destaque são os três ouros em Jogos Pan-Americanos, três em Copas Américas Femininas de Basquetebol, dois em campeonatos do Pré-Olímpico das Américas e os 25 títulos sul-americanos conquistados pelas meninas, tornando o Brasil o maior vencedor de todos os tempos do torneio.

Basquete masculino

Apesar de não viver uma boa fase atualmente, a seleção brasileira masculina é uma equipe forte, com vários jogadores talentosos e que, em sua maioria, atuam na liga americana de basquete. Na América Latina, estamos entre as equipes mais competitivas, ficando atrás apenas da rival Argentina no ranking da FIBA.

O basquete masculino tem várias conquistas no currículo, mas a primeira e mais expressiva é, sem dúvidas, a medalha de bronze na Olimpíada de Londres em 1948. O título veio sob comando do técnico Moacyr Daiuto, uns dos precursores da modalidade no Brasil.

Em 1951, começa uma nova era no basquete masculino, sob direção de Togo Renan Soare, mais conhecido como Kanela. Com ele, a equipe masculina do Brasil conquistou títulos e posições importantes, como:

  • vice-campeão mundial, em 1954 (Rio de Janeiro);
  • bicampeão mundial, em 1959 (Santiago) e em 1963 (Rio de Janeiro);
  • vice-campeão mundial, em 1970 (Iugoslávia);
  • medalha de prata no Pan-Americano, em 1963;
  • medalha de bronze no Pan-Americano, em 1951,1955 e 1959;
  • medalha de bronze na Olímpiada, em 1960.

Entre disputas, triunfos e troféus, o basquete masculino teve sua melhor fase entre 1987 e 2003, período em que a equipe conquistou três medalhas de ouro consecutivas em Pan-Americanos. Além disso, em 1987, a seleção contava com o consagrado Oscar Schimdt, que liderava o grupo com primor, rumo à sua primeira medalha de ouro em Pan.

Nessa era dourada, o Brasil teve dois técnicos importantes para o basquete masculino: Ary Vidal e Lula Ferreira, que foi o último treinador de basquete a trazer uma medalha de ouro em Pan-Americano, em 2007. Naquela época, a equipe já não contava com Oscar, mas tinha no elenco o talentoso Marcelinho Huetas, um armador brilhante, que marcou seu nome na história do basquete no Brasil, assim como:

  • Marcelinho Machado;
  • Anderson Varejão;
  • Tiago Splitter;
  • Leandrinho Barbosa;
  • Oscar Schimdt;
  • Marcel;
  • Israel Machado Campelo.

Atletas brasileiros na NBA

Anderson Varejão

O capixaba Anderson Varejão tem uma trajetória sólida na NBA e atuou em equipes de ponta, como Cleveland Cavaliers (onde jogou com LeBron James, Shaquille O’neal e Kyrie Lrving).

Em Cleveland, Varejão viveu sua melhor fase, liderando o ranking de saldo de pontos da temporada de 2009. Em 2016, o brasileiro foi contratado pelo Golden State Warriors. Após um período sem clube, o pivô de 2,11 m foi contratado pelo Flamengo, time pelo qual atua em 2018.

Tiago Splitter

O pivô catarinense foi o primeiro brasileiro a se consagrar campeão da NBA na temporada 2013-2014, pelo San Antonio Spurs. Em julho de 2015, Splitter foi para o Atlantas Hawks. Em fevereiro de 2017, o atleta foi trocado mais uma vez, mas, naquele momento, o clube era o Philadelphia 76ers. Embora esbanjasse qualidade, o atleta teve problemas com lesões frequentes. Recentemente, o atleta usou sua rede social para anunciar a aposentadoria.

Marcelinho Huertas

Após anos jogando pela Europa, o talentoso e polivalente Huertas conseguiu seu espaço na liga americana em agosto de 2015, quando foi contratado pelo Los Angeles Lakers para jogar a temporada de 2016-2017. Após o fim do contrato, Marcelinho embarcou de volta para Espanha, porém, seu retorno à liga espanhola não durou muito. No início de 2018, Huertas voltou para a NBA, para atuar novamente pela equipe do Los Angeles Lakers.

Cristiano Felício

Assim como os outros jogadores brasileiros da geração atual, o mineiro Felício também chegou à NBA pelo Bulls, uma das maiores franquias da liga americana, especialmente, por ter sido a equipe liderada pelo consagrado Michael Jordan.

Novato na liga, Cristiano sofreu dificuldades para encontrar a maneira ideal de jogar na liga, porém, no ano de 2018, seu talento apareceu. Na atual temporada da NBA, Felício conseguiu mostrar seu potencial e chegou a fazer parte da equipe titular em algumas partidas, inclusive, fazendo 17 pontos em uma partida, sua maior pontuação na NBA.

Raulzinho Neto

Neto, como é chamado nos Estados Unidos, joga sua terceira temporada na NBA pelo Utah Jazz, equipe que chegou às semifinais da conferência oeste no ano de 2018. O brasileiro atua como armador. A franquia tem investido no jogador com a expectativa de que ele se torne um atleta de alto desempenho em pouco tempo. Mesmo jovem, Raul Neto já é dono de uma carreira extensa, tendo atuado até na Euroliga (Espanha).

Bruno Caboclo

Kevin Durant brasileiro: é assim que a impressa americana definia Bruno Caboclo, um atleta com grande potencial para o esporte.

O forte Bruno atua no canadense Toronto Raptors e vem conquistando cada vez mais espaço na equipe. Novo e versátil, o atleta brasileiro tem ganhado alguns minutos a mais em quadra e está tendo a chance de mostrar um pouco mais do talento que o levou até a NBA, em 26 de junho, por meio do draft da NBA de 2014, evento anual em que as equipes recrutam novos jogadores.

Lucas Bebê

O atleta não tem vivido sua melhor fase na liga americana. Apesar de todo seu talento, o carioca de 2,13 m não vem sendo aproveitado pelo clube Toronto Raptors. Com grande potencial, o pivô passou a temporada de 2018 inteira no banco de reservas.

Nenê Hilário

Nenê é um dos atletas brasileiros com carreira mais sólida nos EUA. Ele já jogou pelo Washington Wizards e Denver Nuggets, onde atuou por 10 anos. Atualmente, joga no Houston Rockets. O forte pivô de 2,11 m tem muita consistência em quadra e conta com o suporte do treinador para permanecer na liga. Uma curiosidade é que Nenê é um dos poucos jogadores brasileiros que enfrentou o melhor jogador de basquete de todos os tempos, Michael Jordan, em jogo oficial da NBA.

Rolando Ferreira

O primeiro brasileiro a jogar na NBA, em 1988. Depois de muita dedicação, o brasileiro conseguiu uma vaga no time de Portland, mas, apesar de todo o esforço, Ferreira não chegou a jogar na época.

Por conta da má fase, a equipe sofria pressão devido à falta de reforços. Um dos diretores na ocasião chamou Rolando para uma conversa, com o intuito de mostrar ao atleta brasileiro que a melhor coisa a ser fazer naquele momento era ceder seu lugar na lista de inscritos no campeonato para outro atleta, que fosse mais experiente.

Após o episódio, Rolando finalmente conseguiu seu merecido lugar na equipe do Portland, porém, a alegria durou pouco. Devido a algumas questões internas do clube, o atleta acabou sendo cortado da equipe em 1989.

A história do basquete no Brasil precisa continuar

Somos uma nação cheia de tradição na maioria dos esportes que disputamos. Quando se trata do basquete brasileiro, isso não é diferente, afinal, em toda a sua história, o país conseguiu atingir títulos inéditos, com muita raça, garra e dedicação.

O que nos falta é o incentivo adequado para continuar o legado daqueles que já escreveram seu nome na história do esporte. É extremamente complicado desenvolver um trabalho coeso em clubes onde os recursos são limitados e a estrutura é precária.

Contudo, o patrimônio que foi construído no passado pelos atletas mencionados ao longo deste texto não pode morrer. É preciso continuar a caminhada. Ainda somos um país cheio de talentos para o basquetebol, seguimos exportando atletas para liga americana (NBA) todos os anos, principalmente pelo draft, o que significa que nossos jogadores têm potencial — só nos falta o recurso e estímulo apropriado para desenvolver suas habilidades.

E aí, gostou da história do basquete no Brasil? Para os amantes do esporte, é extremamente importante compreender como surgiu a modalidade no país, não é mesmo? Se você curtiu o conteúdo, compartilhe o post nas redes sociais para ajudar outros brasileiros a entenderem a nossa história no basquete!

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