Entenda como a mente influencia no rendimento do atleta
Coaching Esportivo

Entenda como a mente influencia no rendimento do atleta

Escrito por Unisport Brasil

Quando atletas de alta performance são comparados, é possível dizer quais fatores levam um ou outro a alcançar melhores resultados? O que influencia de verdade no rendimento do atleta? São as horas de treino? A qualidade da alimentação? Os recursos tecnológicos disponíveis?

Cada vez mais, o mercado e os profissionais que trabalham com esportistas (técnicos, treinadores, preparadores físicos, coaches etc.)  têm voltado sua atenção e seus esforços para uma das mais importantes ferramentas de sucesso de um atleta: o treinamento da mente. Em uma época em que o vencedor é decidido por detalhes, a cabeça é uma das maiores aliadas dos atletas.

É a mente que controla a ansiedade e fortalece a confiança daquele jogador que, por exemplo, está caminhando para a marca do pênalti em uma partida decisiva, do tenista que está prestes a sacar antes de um match-point, ou do jogador de basquete que está a segundos de fazer seu arremesso de lance-livre.

É a mente que oferece os recursos (força mental, habilidade de concentração) de que o atleta precisa para alcançar seu desempenho máximo e atingir seus objetivos profissionais, sejam eles individuais ou do grupo.

Nesse e-book, vamos falar sobre como a mente trabalha junto com o corpo, os segredos para usar a mente a seu favor, dicas para vencer o cansaço mental, além de abordar as tecnologias já disponíveis no mercado para que atletas possam melhorar o seu rendimento, e os benefícios do esporte para a mente. Ficou interessado? Então, boa leitura!

2. A importância do corpo e da mente juntos no esporte

Diversas pesquisas mostram a importância da mente na preparação do atleta. Emílio Takase, por exemplo, pesquisador na área da neurociência e autor do artigo Neurociência do esporte e do exercício, afirma que, se considerarmos apenas o sistema visual, o ser humano depende de 40% a 60% do cérebro para realizar as atividades diárias. Se considerarmos o sistema visual e o motor, chega a 2/3.

O pesquisador também chama a atenção para o fato de que já existem algumas comprovações científicas de como a força e o equilíbrio mental podem interferir no rendimento do atleta. Um dos exemplos é de que, ao comparar atletas experientes de golfe e novatos, há mais harmonia nas ondas cerebrais dos primeiros.

Na realidade, os estudos nessa área não são novos. Há algum tempo pesquisadores de várias áreas tentam mostrar por que é fundamental que o corpo e a mente andem juntos. Uma pesquisa feita com atletas soviéticos na década de 1980 também mostra isso.

Os atletas foram divididos em quatro equipes. O primeiro grupo dedicava 100% do tempo aos treinamentos. O segundo, 75% aos treinos e 25% à visualização de movimentos e dos resultados desejados. O terceiro dedicava metade do tempo para cada tarefa e o quarto grupo 25% aos treinamentos e 75% às visualizações.

Nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1980, realizados em Nova Iorque, nos Estados Unidos, o quarto grupo foi o que obteve melhores resultados, seguido pelo terceiro, segundo e primeiro grupo. É claro que outras variáveis fatores podem interferir no resultado de uma competição, mas é evidente que a parte psicológica influencia a performance e, inclusive, pode ser uma ferramenta para aprimorá-la.

Já é possível dizer, portanto, que a mente tem sim um papel de destaque na formação de um atleta de alta performance. Com o controle da parte mental, é possível conter a ansiedade e ter a serenidade necessária para passar por momentos decisivos em um jogo ou partida importante. É a mente que pode fazer a diferença entre dois atletas com os mesmas oportunidades e acessos a recursos de treinamento.

No próximo tópico, vamos falar sobre um dos maiores cases brasileiros da importância da mente para a motivação de atletas profissionais. Confira:

3. A força do “Eu acredito”

A trajetória do Atlético-MG na Copa Libertadores de 2013 e na Copa do Brasil de 2014 pode ser considerada um dos principais cases da importância da mente no rendimento dos atletas dentro do futebol brasileiro. A frase “Eu acredito” virou uma marca da torcida desde o jogo pelas quartas de final da Libertadores de 2013. Desde então, tornou-se um amuleto do Galo e empurrou o time mineiro à conquista da competição daquele ano.

3.1 O início do “Eu Acredito” – Quartas de final

O mantra teve início no jogo contra o Tijuana, no México. O Galo havia empatado em 2 a 2, nas quartas de final da Libertadores. No Independência, o empate em  1 a 1, até os 48 minutos do segundo tempo, classificava o Galo. Só que Leonardo Silva marcou um pênalti. A torcida então começou a gritar “Eu acredito”. O goleiro Victor defendeu o pênalti.

3.2 Eu acredito – Newells – Semifinal

Na semifinal, o Galo havia perdido por 2 a 0 na Argentina e precisava inverter o placar no Mineirão. Empurrado pelos gritos de “Eu Acredito”, o time marcou 2 a 0 e levou a decisão para os pênaltis. Mais uma vez, Victor brilhou e classificou o Galo para a final.

3.3. Eu acredito – Olimpia – Final

O Galo perdeu por 2 a 0 para o Olimpia, no Paraguai, e tinha que inverter o placar novamente, no Mineirão. O time de Cuca conseguiu marcar 2 a 0 e venceu a equipe argentina nos pênaltis, levando para casa a conquista da primeira Libertadores.

3.4 Eu acredito – Copa do Brasil de 2014 – Corinthians e Flamengo

Finalizada a Libertadores, em pelo menos dois momentos da Copa do Brasil de 2014 o Atlético-MG reviveu a força do “Eu acredito”. Um deles foi no jogo contra o Corinthians nas quartas de final. O Galo perdeu o primeiro jogo por 2 a 0 para o Corinthians, no Itaquerão, em São Paulo. No jogo da volta, o time paulista saiu na frente e  o Atlético-MG teria então que marcar quatro gols. Ouvia-se o “Eu acredito” da torcida, e o time mineiro conseguiu virar a partida, classificando-se para a semifinal por 4 a 1.

Outro momento marcante foi na semifinal contra o Flamengo. O Galo precisava o placar de 2 a 0 do primeiro jogo. Conseguiu: venceu o time carioca por 4 a 1 no Mineirão e alcançou uma vaga inédita na final da Copa do Brasil daquele ano.

3.5 Qual a força do “Eu acredito”?

Pensamentos têm força para determinar o estado mental de um indivíduo, seja ele um atleta ou não. Quando alguém se cerca de imagens mentais tristes ou depressivas, é possível que isso se reflita na experiência pessoal dessa pessoa. Da mesma forma, os pensamentos e emoções positivos (como, por exemplo, o “Eu acredito” da torcida alvinegra) podem ajudar um atleta profissional, ou um time, como é o caso do Galo, a se superar em situações de extrema dificuldade. É uma espécie de “eu vou conseguir”. Por isso, a força do “Eu acredito” cria um efeito positivo de superação, garra, e estímulo mental.

4. Os segredos para usar a mente a seu favor

Para que a mente seja uma aliada do atleta, é preciso treiná-la. O trabalho começa com a identificação das demandas do atleta (quais habilidades ele precisa controlar para desempenhar bem sua função, quais são suas metas etc.). Para essa etapa, o coaching esportivo é uma das técnicas que permite aos atletas tirarem o melhor de si e das suas potencialidades, promovendo seus pontos fortes para alcançar os objetivos e resultados almejados.

De forma geral, o importante é ter em mente que os pensamentos são responsáveis por determinar algumas construções da realidade do atleta, pois eles têm o poder de determinar o estado emocional de qualquer indivíduo. É necessário cuidar dos pensamentos para aumentar a autoconfiança, a segurança, a capacidade de automotivação, entre outras habilidades.

Existem algumas técnicas que ajudam a reprogramar a mente para que ela trabalhe a seu favor. Conheça algumas delas:

4.1 Substituir o “se” por “quando”

O “se” limita possibilidades, enquanto o “quando” abre o campo de possibilidades. Experimente trocar o “se” por “quando” em uma frase, especialmente quando se referir a algo que você ainda não conquistou. “Quando eu ganhar o jogo” é diferente de “Se eu ganhar o jogo”. Os efeitos também.

4.2 Utilizar o termo “ainda”

A palavra “ainda” é poderosa e pode ajudar a reprogramar sua atividade mental. Sempre que se referir a algo que ainda não alcanço, coloque o “ainda” no fim da frase.

4.3 Fale sempre no positivo

Falar as metas no positivo mantém o cérebro atento ao que ele quer. Ao invés de afirmar “Não quero perder aquele jogo”, troque por “Quero ganhar aquele jogo”.

4.4 Vigiar os pensamentos

Elimine o hábito de pensar coisas negativas. Vigiar os pensamentos nem sempre é fácil, mas é uma habilidade que pode ser alcançada por meio de técnicas de meditação, como o mindfulness. Aprenda a cultivar bons pensamentos para fortalecer suas redes neurais.

4.5 Mudar o estado emocional

Manter-se em um estado mental emocional é importante para o bom funcionamento da mente. Ao perceber que está triste ou para baixo, tente inverter esse cenário com algo que lhe dê alegria, como uma música, filme, lembrança etc.

5. As dicas para vencer o cansaço mental

O cansaço é um dos obstáculos ao desenvolvimento de uma mente fortalecida, voltada para os objetivos do atleta. Os principais sintomas de cansaço mental são falta de energia, desânimo ou dificuldade para fazer as atividades habituais, fraqueza corporal, perda de apetite, dificuldade para se concentrar, falta de memória, sonolência, dor de cabeça sensações de tontura ou enjoos, irritabilidade, entre outros.

Para superar esse problema, é preciso estar atento a diversos fatores, como alimentação, sono e lazer. O esporte em si também já é um aliado valioso de quem quer relaxar a mente. Confira algumas dicas para vencer o cansaço mental:

5.1 Dormir o suficiente (e prezar pela qualidade do sono)

Enquanto dormimos, nosso organismo repõe as energias necessárias para que o dia seguinte seja produtivo. E isso inclui as energias para fortalecer a mente. É recomendável dormir pelo menos de sete a oito horas por noite, para ter um descanso adequado.

No entanto, mais do que isso, é necessário prezar pela qualidade do sono, mais do que pela quantidade. Ter um ambiente silencioso e escuro para dormir é fundamental. Ficar longe das telas alguns minutos antes de deitar também. Isso ajuda a relaxar a mente antes das horas de sono.

5.2 Praticar exercícios físicos

A prática de exercícios físicos faz com que o cérebro permaneça alerta por mais tempo, o que reduz a fadiga mental. É recomendável exercitar-se diariamente por pelo menos uma hora. É claro que, quando se trata de um atleta, possivelmente ele já terá essa atividade inclusa na rotina de treinos naturalmente.

5.3 Exercitar a mente

Também é importante estimular a mente com leituras, palavras-cruzadas, jogos de lógica e outras atividades que permitam que ela se mantenha ativa.

5.4 Viver com otimismo

Pensamentos depressivos, tristes e negativos criam um ambiente pesado, que ajuda a alimentar a chegada de mais pensamentos prejudiciais à saúde mental. Essas emoções com cargas negativas podem causar quedas de humor e até doenças como depressão. Para vencer o cansaço mental causado por pensamentos nocivos, é importante pensar em situações felizes, positivas e mais saudáveis.

5.5 Fazer respirações profundas

Respirar profundamente em alguns momentos do dia permite a oxigenação do sangue, o que elimina a sensação de fadiga. É importante que essa respiração seja feita em um ambiente saudável, arejado e livre de fumaças de cigarro, por exemplo, ou de outras substâncias nocivas ao sistema respiratório.

5.6 Alimentar-se bem e de forma equilibrada

Os alimentos são a fonte de energia da qual o corpo se abastece para realizar as atividades mentais e físicas ao longo do dia. Por isso, ter uma alimentação balanceada e equilibrada é importante para fornecer ao organismo os nutrientes de que ele necessita para se manter saudável e disposto. Além disso, alguns alimentos ajudam a eliminar o cansaço mental de forma natural. Conheça alguns deles:

  • banana: a vitamina B6 e o triptofano presentes na banana ajudam a combater o cansaço;

  • espinafre: rico em vitaminas A e B6 (conhecidas como ácido fólico), o espinafre ajuda o corpo a absorver elementos como ferro e magnésio, e evita que o organismo se sinta sem força;

  • legumes em geral: como possuem carboidratos, são excelentes fontes de energia; lentilhas, feijão, grão-de-bico e outras leguminosas podem ser utilizadas na preparação de sopas e patês;

  • frutas secas: são fonte de triptofano e magnésio. Diminuem o cansaço mental, a insônia, o estresse e a ansiedade; além das frutas secas, também é importante consumir nozes como amêndoas, avelã, pistache e tâmaras, e sementes de papoula, linho, gergelim e girassol;

  • pimentão vermelho: rico em vitamina C, o pimentão ajuda a fortalecer o sistema imunológico. Isso mantém o corpo saudável e evita o cansaço crônico; outros alimentos com os mesmos benefícios são o limão, a laranja, figo, uva, abacaxi, couve de bruxelas e alho;

  • chá verde: ajuda a reduzir os níveis de ansiedade e estresse; tem concentração de L-Teanina, que melhora a memória e regula o ciclo do sono;

  • água: água não pode faltar. O corpo nunca pode ficar desidratado; do contrário, também faltará energia para a realização das atividades diárias; o ideal é consumir de 2 a 3 litros por dia, inclusive durante a realização de atividades físicas.

6. O uso de tecnologia e da ciência no rendimento do atleta

Além de todo o preparo psicológico promovido por treinadores e coaches esportivos, os atletas podem se valer da tecnologia para melhorar seu desempenho. Muitos deles se apoiam em conceitos da neurociência para simular situações de treino que podem favorecer o rendimento do profissional. Conheça algumas ferramentas e recursos já disponíveis no mercado atualmente:

6.1 Biofeedback

O biofeedback é um recurso de imagem utilizado para treinar o cérebro. Um dos casos é em uma situação de corrida. Enquanto faz uma prova, o atleta carrega uma GoPro, que pode ser acoplada ao boné. Assim, ele registra toda a competição em alta qualidade. Depois, em um período que pode ser determinado pelo treinador, o atleta veste um óculos de realidade virtual e assiste às imagens, como se estivesse disputando a corrida novamente.

Enquanto isso, três eletrodos colocados nos dedos do atleta registram os batimentos cardíacos e a respiração. O equipamento monitora a coerência cardiorrespiratória do atleta, função que tem impacto na concentração e no controle da ansiedade.

Além disso, o biofeedback também traz alguns jogos que auxiliam o atleta a alcançar estados de concentração. É claro que esse equipamento é um recurso de grande ajuda, mas não dispensa o trabalho psicológico. É importante mapear as potencialidades e dificuldades de cada atleta para descobrir quais ferramentas se aplicam às necessidades dele.

6.2 Halo

No formato de um fone de ouvido, o Halo envia uma corrente de energia controlada para o cérebro, que pode assim ampliar a habilidade das células cerebrais e, como consequência, melhorar o desempenho.

6.3 Eye Tracking Glasses

Equipamento produzido pela SMI (SensoMotoric Instruments), é um óculos que melhora a percepção visual e a atenção. Profissionais de esportes como basquete ou beisebol podem treinar utilizando esse dispositivo.

7. Os benefícios do esporte para a mente

Assim como a mente precisa estar fortalecida para influenciar positivamente o rendimento do atleta, o esporte também atua na promoção da saúde mental, pois desenvolve a autoestima, o convívio social e habilidades de concentração, foco e disciplina. A filosofia do esporte, por exemplo, é um dos campos que estuda essa relação entre corpo são (esporte) e mente sã (filosofia). Conheça alguns dos benefícios do esporte para a saúde mental:

7.1 Aumenta o convívio social

O esporte estimula o contato com outros atletas e profissionais do ramo, o que é ótimo para aumentar o convívio social. Essa interação é importante para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, como espírito de equipe e fair play.

7.2 Melhora a autoestima

A prática esportiva melhora a autoconfiança e isso tem impacto direto na autoestima. Além disso, as próprias respostas do corpo ao esporte (melhora no fôlego e na coordenação motora, desenvolvimento muscular) podem fazer o atleta se sentir melhor esteticamente, o que também melhora a autoestima.

7.3 Reduz o estresse e melhora o humor

Praticar esportes e exercícios físicos em geral libera endorfina, substância conhecida como “hormônio do bem-estar”. Ele tranquiliza sua mente depois do esporte, reduzindo o estresse. A prática esportiva também aumenta os níveis de dopamina e serotonina, responsáveis por melhorar o humor.

7.4 Desenvolve as atividades cerebrais

Os esportes estimulam a atenção dos atletas para os padrões táticos de seus adversários, levando ao desenvolvimento de capacidades como concentração e foco. Em esportes individuais de alto nível tático, como tênis, esse estímulo é ainda maior.

7.5 Estimula capacidades como a garra e a disciplina

Qualquer atleta precisa ter uma rotina organizada para cumprir seus objetos, sejam eles aprimorar seu condicionamento físico, melhorar suas habilidades em determinado fundamento, ou qualquer outra meta que ele queira cumprir. Para isso, ele acaba desenvolvendo uma disciplina natural.

A garra, por sua vez, é aquela habilidade que ajuda a resistir e persistir diante de obstáculos: um dia frio ou chuvoso de treino, um jogo decisivo, uma partida que começa ruim e depois se encaminha para um bom final.

Assim, podemos perceber que os benefícios do esporte para a mente também são muito importantes para a manutenção da saúde do atleta. É uma via de mão dupla que, quando alimentada, ajuda a trazer resultados positivos.

A influência da mente no rendimento do atleta é cada dia mais evidente para pesquisadores, profissionais do ramo, coaches e técnicos. Saber como torná-la uma aliada do atleta pode fazer a diferença entre um resultado razoável e uma grande conquista.

Cada atleta deve buscar os recursos com maior potencial para ajudá-lo a trabalhar dificuldades, vencer desafios e se manter competitivo e em busca dos seus resultados. Ao lado disso, os profissionais que trabalham com atletas de alta performance precisam estar atentos às necessidades do esportista, bem como às novidades de mercado em recursos e tecnologia que podem ser utilizados para aprimorar o desempenho.

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