Esquema tático do futebol: saiba como montar o seu time
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Esquema tático do futebol: saiba como montar o seu time

Escrito por Unisport Brasil

esquema tático é um dos fatores mais importantes na hora de montar time de futebol. Muitas vezes subestimado, ele tem muito a dizer sobre o jogo em si e as diferentes formas de preparar uma equipe. Por isso, é fundamental que o técnico conheça todas as variações para aumentar o seu repertório.

Mas você sabe quais são os principais esquemas? Conhece as vantagens trazidas por cada um deles e de qual maneira aplicá-los? Neste texto, o foco será na compreensão da parte tática de uma equipe de futebol, com uma explicação detalhada sobre a sua importância e quais são as diferentes maneiras de montar a equipe. Confira!

Quais as principais dicas para montar time de futebol?

No futebol profissional, diferentes áreas atuam em conjunto para conquistar os objetivos do clube, ou seja, os títulos. O técnico é a figura mais conhecida e que tem um papel central nessa engrenagem, mas conta com o apoio de dezenas de profissionais como assistentes, médicos, fisiologistas, fisioterapeutas, dentre outros.

Os treinos são divididos, principalmente, em três categorias: físico, técnico e tático. No primeiro, o técnico deixa a cargo do preparador físico, que tem mais conhecimento sobre o assunto, mas deve acompanhar o seu desenvolvimento de perto. Já nos dois últimos, a sua responsabilidade é maior.

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Uma dica essencial é conhecer bem as características de seus jogadores. Isso porque, mesmo que você crie um esquema tático vencedor, o resultado pode não ser o esperado dentro de campo se os seus atletas desempenham melhor outras funções. Para alcançar esse nível de conhecimento é preciso um tempo de adaptação.

Além disso, o técnico deve acompanhar de perto os jogadores e convencê-los da importância de conhecer melhor as táticas de jogo. Não é incomum encontrar atletas habilidosos, como centroavantes goleadores e pontas rápidos, que não entendem a sua função em campo, principalmente na defesa.

Qual é a importância do esquema tático?

Também conhecido como plataforma de jogo ou referência posicional, o esquema tático faz parte do processo de montagem de um time, assim como uma série de outros fatores, como fisiologianutrição e análise de desempenho.

De forma bastante resumida, ele consiste em uma orientação de ocupação de espaço que é passada aos jogadores. É possível notá-la com maior facilidade no momento defensivo, isto é, quando um time está sem a bola e precisa se proteger mais.

Trata-se, portanto, de uma referência que deve ser levada em conta na recomposição da equipe, por mais que seja dada aos atletas a liberdade de trocar de posição, flutuar pelo campo e assim por diante.

O jornalista, scouter e analista de desempenho, Renato Rodrigues, em um texto do seu blog, no portal da ESPN Brasil, relativiza essa importância, considerando como algo que não é necessariamente o mais relevante na constituição do comportamento de uma equipe:

“A plataforma de jogo é, nada mais nada menos, que a referência posicional de onde cada jogador deve se posicionar. Se isso tem alguma importância? Claro. Mas, definitivamente, não é o mais importante para o funcionamento de uma equipe. É somente um braço de todo um organismo vivo, dentro do contexto caótico que é uma partida de futebol.”

Sendo assim, pode-se dizer que a forma como as linhas de marcação são organizadas, bem como a quantidade de jogadores inseridos em cada uma delas, são apenas um dos elementos presentes nos aspectos táticos de um time.

Os esquemas táticos são variáveis?

Quando alguém diz que uma equipe está organizada em sistemas como o 4-4-2 ou o 4-5-1, não é possível deduzir, somente por meio desse dado, qual é a postura da equipe. Ou seja, se ela aposta mais no toque de bola, nos cruzamentos na área ou nas finalizações de longa distância.

Embora essa seja uma informação importante, ela não resume o modelo de jogo, que é uma estrutura mais complexa. O esquema é, portanto, apenas uma das engrenagens, já que as partidas podem ser decididas no talento individual ou em situações de bola parada, onde a formação inicial não tem tanta relevância.

É importante, ainda, ter atenção para a denominação de cada esquema. Quando ele é formado por três numerais (4-3-3, por exemplo), isso quer dizer que há três linhas: a mais atrasada e defensiva delas conta com quatro jogadores, e a intermediária e avançada têm três cada.

Um sistema com 4 numerais (4-1-4-1, por exemplo), por sua vez, tem quatro linhas. Alguns especialistas ainda adicionam a linha do goleiro e acrescentam o número 1 no começo da nomenclatura: 1-4-1-4-1. Porém, esse formato não é muito utilizado no Brasil.

Um time pode, inclusive, variar de esquema durante um mesmo jogo, atuando no 4-3-3 quando ataca e defende com um 4-5-1. Além disso, com as substituições, o técnico pode adaptar o seu sistema às condições da partida, com a adição de jogadores de posições diferentes vindos do banco.

Montar time de futebol: quais são os esquemas táticos mais populares?

4-4-2

O 4-4-2 é a formação mais conhecida do futebol e foi um sinônimo de esquema tático por alguns anos, por conta da sua grande utilização. Foi popularizado pela Inglaterra, que ganhou a Copa do Mundo de 1966, e se tornou o queridinho de vários técnicos nas décadas seguintes.

Desse esquema se originaram as frequentemente mencionadas “duas linhas de quatro”, em referência ao posicionamento dos jogadores de defesa e meio de campo. Essa composição é melhor visualizada no campo de defesa, já que, no ataque, os laterais podem avançar e aumentar a ocupação de espaço da equipe.

Na linha intermediária, a ideia é que os dois externos, que dão amplitude lateral à equipe, sejam atletas velozes e criativos, capazes de dar bons passes aos homens de frente e gerar situações de gol. Outra diferença é a dupla de ataque, que conta com um centroavante fixo e um segundo atacante com mais velocidade.

Existem diversas variações para o 4-4-2. A introdução dos volantes, também conhecidos como “cabeças de área”, é uma delas. Eles são responsáveis por dar sustentação à defesa e por auxiliar a saída de bola, o que sugere que esses jogadores devem ter poder de marcação e boa técnica no passe.

O Brasil campeão do mundo em 1994 foi uma equipe que utilizou esse esquema tático. O técnico Carlos Alberto Parreira escalou, na reta final da competição, uma equipe com dois volantes (Mauro Silva e Dunga), dois meias (Mazinho e Zinho) e dois atacantes (Bebeto e Romário), além de uma linha de quatro na defesa.

4-3-3

O 4-3-3 surgiu entre as décadas de 60 e 70 como uma variação do antigo 4-2-4. Porém, ao contrário de seu antecessor, ele se mantém atual e é um dos esquemas mais frequentes dos últimos anos.

Para armar uma equipe nesse sistema, é preciso levar em consideração que a linha ofensiva de três jogadores deve ter não só velocistas ou bons dribladores, mas também atletas taticamente comprometidos, que ajudem a recuperar a bola na fase de transição para a defesa.

Esse esquema tem duas variações conhecidas: 4-1-2-3 e 4-2-1-3. Enquanto o primeiro tem dois jogadores de meio mais próximos aos atacantes e ao gol adversário, o segundo dá preferência à proteção ao sistema defensivo, com dois volantes de marcação.

Um time que ficou conhecido recentemente por essa formação foi o Barcelona campeão da Liga dos Campeões da Europa em 2015. O técnico Luis Enrique utilizava um trio de meio-campistas, composto por Sergio Busquets, Ivan Rakitic e Andrés Iniesta, que municiava o “MSN”, como a parceria dos atacantes Lionel Messi, Luis Suárez e Neymar foi popularizada.

3-5-2

O 3-5-2 foi criado na Europa e despontou entre as décadas de 1980 e 1990 como uma opção ao 4-4-2. No Brasil, esse sistema de jogo é considerado defensivo, por conta da presença dos três zagueiros, mas as suas raízes eram permitir uma melhor construção de jogadas com cinco meias, sem comprometer a zaga.

O técnico alemão Sepp Piontek inovou com a utilização desse esquema durante a Eurocopa de 1984, à frente da Dinamarca. A sua proposta era ganhar numericamente dos ataques adversários, que utilizavam dois jogadores. Por isso, adotou o líbero, que era um defensor mais técnico e que auxiliava na saída de bola para o ataque, além de fazer a “sobra”.

Essa formação fez muito sucesso no Brasil, na década de 2000. Primeiro, com a equipe pentacampeã do mundo em 2002, dirigida por Luiz Felipe Scolari, e depois no São Paulo tricampeão brasileiro entre 2006 e 2008, sob o comando de Muricy Ramalho. Ambos os times eram considerados defensivos.

Além do líbero, na intermediária, dois alas e um meia criativo lidam com a função de dar apoio a quem está mais próximo da meta adversária. Esses alas, geralmente, são laterais com uma vocação ofensiva, mas que têm o papel de ajudar na marcação quando a bola está com a outra equipe.

4-5-1

Geralmente usado por técnicos que contam com bons meio-campistas, o 4-5-1 oferece a vantagem de um balanço defensivo sem a necessidade de abrir mão da eficiência no ataque. O seu conceito é criar uma ampla linha de marcação atrás da bola, com a possibilidade de sair rapidamente para o contra-ataque.

Essa formação varia em diferentes situações de jogo. No ataque, os dois jogadores na extremidade podem avançar e compor um 4-3-3 tradicional, com jogadas de linha de fundo. Já na defesa, o técnico pode escalar o atacante mais recuado, o que formaria um 4-6-0 ou um 5-4-1.

Uma de suas variações mais populares, o 4-2-3-1, ganhou prestígio e status de inovador durante a Copa do Mundo de 2010 e marcou a campanha do Corinthians que conquistou o título brasileiro de 2017, sob o comando de Fábio Carille. Também foi utilizado por Luiz Felipe Scolari na Copa do Mundo de 2014, disputada no Brasil.

3-4-3

A criação desse esquema tem relação direta com a Lei do Impedimento, que foi mudada em 1925 para aumentar o número de gols nas partidas. Com a diminuição do número de jogadores à frente do atacante de três para dois, o técnico Herbert Chapman, do Arsenal, desenvolveu o “W.M.”.

A explicação desse nome vinha da disposição dos jogadores em campo, que formavam um 2-3-3-2. Ao contrário da intenção dos dirigentes ingleses, essa equipe não era ofensiva, mas prezava pelo contra-ataque. A diferença é que, pela sua eficiência nos lançamentos e qualidade dos pontas, teve muito sucesso durante os anos 1930.

O 3-4-3 atual depende de atletas equilibrados na faixa central do campo, pois a participação deles será fundamental em todos os momentos do jogo, seja na defesa ou no ataque. A linha ofensiva pode recuar em situações emergenciais ou alternar com os jogadores de meio a responsabilidade de dar apoio aos zagueiros e laterais.

Antes do 3-2-2-3, o o 2-3-5 era uma formação muito utilizada. Conforme o jogo evoluiu, novas maneiras de pensar a ocupação do espaço foram testadas. Recentemente, o Chelsea de Antonio Conte, que levantou o caneco do Campeonato Inglês em 2016, trouxe novamente o 3-4-3, com um lateral na composição da zaga.

4-1-4-1

Assim como o 4-2-3-1 ficou “famoso”, essa formação é uma das mais utilizadas atualmente e ficou conhecida com Pep Guardiola no comando do Barcelona, na última década. Seu conceito é escalar um volante à frente da defesa e formar uma linha de quatro jogadores no meio-campo, que são fundamentais na marcação.

Ao contrário do 4-3-3, esses jogadores mais extremos não se movimentam apenas verticalmente, mas também de forma diagonal, sempre em direção à bola. Isso é explicado porque os pontas não recuam para marcar os laterais, e sim para formar a linha defensiva e pressionar o adversário.

Além de Pep Guardiola, essa formação foi utilizada por Tite em 2015, na sua segunda passagem pelo Corinthians, que ficou com o título do Campeonato Brasileiro. O técnico levou essa tática para a Seleção Brasileira que disputou as Eliminatórias da América do Sul e a Copa do Mundo de 2018, na Rússia.

Saber como montar um time de futebol é fundamental para o técnico ter sucesso em sua profissão. Como o esporte está em constante evolução, entender melhor o funcionamento do esquema tático e as suas particularidades pode ser o diferencial na hora de conquistar bons resultados.

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