Psicologia esportiva: o rendimento dos atletas e o treinamento da mente
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Psicologia esportiva: o rendimento dos atletas e o treinamento da mente

Escrito por Unisport Brasil

A psicologia e o esporte são duas áreas que estão intimamente relacionadas. Apesar de os estudos a respeito dessa ligação serem antigos, a utilização das duas áreas em conjunto é mais recente, tendo como resultante a psicologia esportiva.

Podemos dizer que ela estuda o comportamento de todas as pessoas envolvidas no contexto esportivo, desde o jogador até o treinador, contribuindo para o sucesso da equipe. Mas será que juntar essas duas áreas realmente funciona e é eficiente?

Esse questionamento está presente em muitos grupos esportivos. Para ajudar a respondê-lo, criamos este post cheio de informações sobre o assunto. Acompanhe e descubra como funciona a psicologia esportiva e como ela atua para melhorar o desempenho dos atletas!

Entenda o que é a psicologia esportiva

O desempenho de um atleta pode ser afetado por inúmeros fatores que não estão diretamente ligados ao esporte, como comportamentos emocionais, afetivos e problemas de relacionamento. Por isso, mesmo que ele seja muito dedicado à atividade esportiva, o seu rendimento pode estar sendo comprometido por outros motivos, e é aí que entra a psicologia esportiva.

Muitos atletas não sabem lidar com a pressão que existe no meio esportivo, outros não conseguem se recuperar durante o jogo caso seu time comece perdendo. Há ainda aqueles que têm problemas de relacionamento com os colegas, desenvolvidos por fatores psicológicos e comportamentais. Enfim, são inúmeras as possibilidades de intervenção da psicologia no esporte.

A psicologia esportiva é, em suma, uma das áreas da psicologia que tem como objetivo promover a saúde mental e o bem-estar dos atletas, para que eles possam desempenhar da maneira mais eficaz o seu papel durante o jogo.

Nesse cenário, é crescente a procura de clubes, treinadores e jogadores por um psicólogo esportivo que consiga realizar um trabalho em conjunto, em prol da equipe. Aqueles que não recorrem à psicologia esportiva podem ficar atrás dos seus adversários.

Confira as áreas de atuação da psicologia esportiva

A psicologia esportiva voltada para os atletas de alto rendimento é a mais lembrada quando pensamos no assunto. No entanto, há também outras áreas de intervenção que podem ser exploradas. Veja a seguir cada uma delas.

Esporte de competição

O esporte de competição compreende a área do alto rendimento, em que o principal papel do psicólogo é trabalhar para que a performance do atleta seja otimizada. Para isso, ele analisará todos os fatores psíquicos que podem interferir, de alguma maneira, no desempenho do atleta ou da equipe, e realizará intervenções para que os problemas sejam resolvidos.

Esporte escolar

Já no ambiente escolar, a psicologia esportiva tem como finalidade a formação das crianças e jovens por meio do esporte e do lazer. O papel do psicólogo na escola é entender todos os processos de ensino, socialização e educação aos quais os participantes das atividades estão sendo expostos.

A partir desse ponto, ele conseguirá verificar quais são os fatores do esporte escolar que podem influenciar — tanto positiva quanto negativamente — no desenvolvimento e na formação das crianças e dos jovens.

Esporte recreativo

O esporte recreativo é aquele que é praticado por lazer, em busca de uma satisfação pessoal. Nesse nicho, a função do psicólogo esportivo é analisar e comparar o comportamento recreativo entre diferentes faixas etárias e classes sociais. Além disso, ele também pode procurar entender as diferentes motivações que levaram cada indivíduo a optar por essa prática, assim como os seus interesses e as suas atitudes.

Esporte de reabilitação

O esporte de reabilitação é realizado por pessoas que sofreram alguma lesão, em decorrência da prática de algum esporte ou por outro motivo, e por aqueles que nasceram com alguma condição que demande esse cuidado. O papel do psicólogo é atuar no lado emocional e cognitivo dessas pessoas, contribuindo para a sua recuperação.

Saiba qual é a importância da psicologia no esporte

O esporte é uma área que exige muito dos atletas. Não é apenas o desempenho esportivo que faz um atleta ou um time bom: muitos outros fatores estão relacionados com os resultados positivos e negativos.

Um atleta precisa saber lidar com situações de alegria e entusiasmo, combinadas com momentos desgastantes, como a derrota, as emoções, as caídas e reerguidas, as frustrações, os aprendizados, a superação, a substituição e a pressão daqueles que fazem do seu time um motivo de felicidades e tristezas.

Relacionados a isso, selecionamos alguns fatores que são trabalhados pela psicologia esportiva, observe a seguir.

Motivação

A motivação é um dos fatores determinantes para que se obtenha sucesso, seja na vida pessoal ou profissional. Muitas vezes, no esporte, o jogador está desmotivado e por isso o seu rendimento acaba sendo afetado. É papel do psicólogo identificar a causa e trabalhar nela.

Um atleta motivado dá o melhor de si para conquistar os objetivos próprios e da equipe; contudo, quando falta a motivação, a sua performance cai. O psicólogo intervém por meio de conversas e reflexões, tentando encontrar um motivo que dê sentido para o jogador a todo o esforço que ele precisa entregar durante o jogo.

No caso de quem pratica esportes em busca de saúde e qualidade de vida, a motivação também é um fator importante, sendo que o psicólogo pode ajudar a fazer com que a pessoa veja quais são as suas motivações para a prática esportiva.

Uma questão que pode ser feita pelo psicólogo é o que faz o indivíduo, atleta ou não, levantar cedo para se exercitar ou treinar. As pessoas precisam ter essas respostas para que o seu desempenho possa ser cada dia melhor.

Liderança

A liderança esportiva, assim como ocorre na liderança corporativa ou de grupos, serve como espelho para todos os outros componentes. No caso do esporte, o desempenho dos atletas é muito influenciado pela capacidade de entusiasmo do líder.

Além disso, o líder precisa ainda ter integridade, coragem, dedicação e ser um ótimo ouvinte. O psicólogo esportivo atua juntamente ao líder, dando suporte e ajudando-o com estratégias para que ele consiga conduzir a equipe da melhor maneira possível.

Crise de identidade esportiva

Assim como acontece em todas as profissões, é comum que os atletas, em algum momento da carreira, se questionem se o que estão fazendo realmente é aquilo que sonharam para si.

Essas crises costumam vir acompanhadas de uma grande baixa no rendimento do jogador, e, por isso, exigem um acompanhamento de perto. O psicólogo ajuda esse atleta a reencontrar as suas motivações e resgatar aquilo que o levou até onde ele está.

Reabilitação de lesão

A lesão no esporte costuma afetar os atletas não só fisicamente, mas também psicologicamente. O sofrimento traz questionamentos de por que o fato aconteceu com ele, se ele vai conseguir voltar ao nível que tinha conquistado, e até mesmo se vale a pena voltar.

Apesar de o comportamento entre os jogadores ser variado, grande parte desenvolve sintomas psicológicos negativos como depressão, impaciência, medo e frustração. Esses sintomas podem ser mais acentuados dependendo do grau da lesão, do momento da carreira em que o atleta se encontra e de sua individualidade.

Independentemente de qual será a reação, dificilmente um atleta lesionado não necessita de um acompanhamento psicológico aliado ao tratamento médico. As fases psicológicas de uma lesão podem ser divididas em diferentes estágios:

  1. negação: quando ele não aceita a lesão;
  2. raiva: quando se dá conta de que está incapacitado de praticar o seu esporte;
  3. negociação: em que começa a entender que precisa se adequar a um novo comportamento para melhorar a saúde;
  4. depressão: costuma vir acompanhada da perda de identidade profissional;
  5. aceitação e reorganização: quando o atleta finalmente aceita a sua condição e começa a trabalhar para se recuperar com mais rapidez.

Em todas essas fases o trabalho do psicólogo é requisitado. Além disso, pode contribuir para que os estágios tenham um hiato mais curto entre eles, alcançando a fase 5 com mais rapidez. Nesse trabalho, o psicólogo vai ouvir o jogador, fortalecer a autoestima, controlar a ansiedade e prepará-lo para a volta à rotina esportiva.

Relacionamento entre os membros da equipe

Um atleta que participa de jogos individuais normalmente tem menos problemas com relacionamentos, já que ele próprio possui certa liberdade para compor o time que o auxiliará. Contudo, o mesmo não ocorre para os jogadores que formam uma equipe.

Eles precisam conviver em um grande grupo e, muitas vezes, essa rotina diária pode ser conturbada. O psicólogo, nesses casos, pode ser uma figura conciliadora, que trabalha para manter os ânimos entre os colegas dentro da normalidade.

Descubra como ela ajuda no equilíbrio emocional

As emoções dos esportistas são constantemente acionadas durante a prática da sua atividade, e aqueles que não possuem um bom equilíbrio emocional podem ter o seu rendimento diminuído.

Aquele gol sofrido aos 45 do segundo tempo em uma partida de futebol, ou o tie-break praticamente ganho que é perdido em um jogo de tênis, o arremesso de três pontos não convertido no basquete nos segundos finais, a ultrapassagem nos últimos metros na corrida: são inúmeros os acontecimentos dentro do esporte que podem afetar o emocional do atleta, e eles acontecem com frequência.

Nos esportes individuais e que exigem uma grande concentração, como tênis, ginástica, surfe, natação, etc., o atleta precisa ter um preparo emocional tão grande — se não maior — do que o preparo físico. Isso porque se os adversários têm uma capacidade física parecida, o treinamento da mente pode ser o fator determinante para que um ganhe e o outro perca.

O mesmo ocorre em jogos entre equipes. Com o avanço das tecnologias e com a globalização, os times têm buscado recursos em diferentes lugares e estão cada vez mais equivalentes no quesito treinamento. O controle emocional dos atletas, novamente, torna-se o diferencial que pode eleger o vencedor. Nesse caso, o peso é ainda maior, pois o comportamento emocional frágil de apenas um componente, pode influenciar a performance de todo o grupo.

Saber controlar as emoções não é uma tarefa fácil, ainda mais no meio esportivo, em que muitos fatores contribuem para o desequilíbrio como a expectativa dos espectadores e de toda a equipe envolvida. Um pequeno erro do jogador pode desencadear uma série de sentimentos negativos caso ele não tenha um bom equilíbrio emocional.

Modo competição

O modo competição é o estágio do treinamento em que os esportistas estão mais expostos ao estresse e ao desequilíbrio emocional. Preparar-se previamente para esse momento pode ser uma excelente maneira de se sair bem e se destacar em relação aos oponentes.

O psicólogo pode ajudar de muitas maneiras, sendo que cada esporte deve ser tratado de um jeito diferente, visto que possui adversidades e objetivos distintos. Pensando nisso, separamos algumas preparações mentais para atletas de modalidades variadas alcançarem um bom equilíbrio emocional. Acompanhe a seguir.

Esportes de combate

Os esportes de combate exigem muito dos seus praticantes. Além de saber lidar com a violência dos golpes, eles precisam estar constantemente concentrados em seus objetivos. Qualquer distração mental pode levar a um golpe fatal e, consequentemente, à perda da luta.

A psicologia ligada ao esporte de combate envolve uma autodisciplina mental muito exigente. O psicólogo auxilia o lutador a desenvolver estratégias mentais que o coloquem sempre em superioridade em relação ao seu adversário.

A estratégia da mente, então, faz parte da luta. Se um lutador aplica toda a sua força em golpes sem antes ter um planejamento, talvez todo o seu esforço possa ser em vão. Quando um atleta tem a capacidade de respirar, raciocinar e só então executar o planejado, as chances da luta ser ganha por ele aumentam consideravelmente.

Esportes radicais

Os esportes radicais têm um agravante para o equilíbrio emocional da mente: os riscos. Aqueles que optam por essa modalidade estão expostos a um maior número de perigos e imprevisibilidades. Além disso, o desafio também é constante.

Os esportes radicais também são conhecidos como esportes que liberam adrenalina, o que proporciona um maior prazer aos seus praticantes. Apesar disso, o atleta pode ter receio de realizar certo movimento, já que ele sabe o quão difícil é e todos os riscos aos quais ele será exposto. Quando isso acontece, a eficácia da prática esportiva pode ser afetada.

O psicólogo que intervém nos esportes radicais trabalha muito a questão da preparação e da autoconfiança. É preciso que o atleta tenha uma ótima capacidade de controle da mente para aprender a lidar de forma positiva com os desafios e os riscos que são propostos a ele — inclusive o risco de vida, associado a esse tipo de modalidade.

A preparação dos atletas para grandes desafios também é acompanhada por um psicólogo esportivo. Grandes escaladas, desafios de ondas gigantes, rampas de skate enormes, todas essas aventuras exigem uma preparação prévia que é realizada em conjunto com esportistas e psicólogos. Eles precisam confiar em si mesmos e saber que estão dando o melhor de si em cada passo da tarefa proposta, além de aprender a conhecer os próprios limites.  

Esportes de resistência

A mente pode ser o principal inimigo daqueles que praticam esportes de resistência. O pensamento negativo normalmente vem acompanhado de um “eu não vou conseguir” e, como resultado, tem-se o fracasso da tarefa.

Durante uma prova longa, seja de natação, atletismo, ciclismo ou qualquer outra modalidade, o corpo cansado envia para o cérebro estímulos de dor e mal-estar, que podem ser interpretados como uma incapacidade.

Quando isso acontece, a mente precisa estar preparada para não aceitar essa mensagem — caso contrário, há grandes chances de o esportista diminuir o seu ritmo ou até mesmo desistir da prova. O atleta necessita, então, conhecer os seus limites e manter pensamentos positivos.

O psicólogo esportivo deve trabalhar junto ao atleta de resistência para ajudá-lo a montar as estratégias que ele seguirá durante a competição quando o corpo começar a dar sinais de cansaço, de modo que ele consiga manter o ritmo imposto.

Veja como a psicologia ajuda a lidar com a pressão sofrida pelos atletas

Os esportistas, principalmente de alto rendimento, são cobrados constantemente. A pressão pelos resultados no esporte profissional vem dos mais variados lados: empresários, patrocinadores, membros da equipe, torcedores e o próprio atleta, que traça objetivos e metas para si mesmo. No amador, também existe pressão vinda de familiares e treinadores, que muitas vezes apostam todas as suas fichas na criança ou no adolescente.

Sendo assim, do início ao final da carreira, o indivíduo que decide ser um esportista sofre pressão. Na fase inicial essa pressão é marcada pela transição do momento lúdico para o profissional, quando a criança precisa deixar de praticar o esporte por prazer e começar a praticar por resultados.

Depois dessa fase, inicia-se a troca de categorias, que acompanha os atletas até a profissionalização. Além das fases de troca de categoria, pelas quais todos passam, existem outros fatores que aumentam a pressão aos atletas no esporte: a busca por alto retorno financeiro, assédio, fama, lesões, recuperação e a aposentadoria. Todos esses momentos agem sobre o atleta em forma de pressão.

Existem três estratégias que os psicólogos esportivos podem utilizar para contribuir com o alívio do estresse dos atletas e melhorar o seu desempenho: estratégia cognitiva, somática e emocional.

Estratégia cognitiva

A estratégia cognitiva está ligada ao controle do pensamento para evitar a ansiedade, que é um dos fatores geradores de pressão. A ansiedade cognitiva está relacionada a pensamentos negativos que dizem respeito à preocupação do atleta em relação ao seu desempenho.

Os pensamentos negativos estão ligados ao medo, receio, à apreensão e pressão por temer que algo não saia com o esperado. Nesse cenário, o psicólogo esportivo assume o papel de motivador, ajudando o atleta a afastar esses pensamentos.

Estratégia somática

A estratégia somática está relacionada ao comportamento físico dos atletas, ou seja, a ativação física notada é resultado dos estímulos fisiológicos desenvolvidos pelo atleta de acordo com as suas ações cognitivas.

Quando um atleta é afetado pelos pensamentos negativos, o corpo físico responde desencadeando sentimentos de ansiedade, dúvida e nervosismo. No momento em que isso acontece, o indivíduo passa a ter sensações físicas desagradáveis, como a aceleração do batimento cardíaco, perda de energia, etc. O inverso também acontece: pensamentos positivos costumam gerar confiança e bem-estar corporal, aumentando as chances de se obter sucesso e mantendo a pressão afastada.

Estratégia emocional

Por fim, a estratégia emocional auxilia o atleta a lidar com os sentimentos que estão envolvidos na pressão diária por resultados. O ser humano, ao sentir-se pressionado, pode gerar inúmeros sentimentos ruins, que minam cada vez mais o seu desempenho, tanto na vida pessoal como profissional.

Se os torcedores ou o treinador cobram muito de um atleta, ele pode sentir raiva e desgosto, que são sentimentos difíceis de serem revertidos. O psicólogo age ajudando os esportistas a tirarem apenas as mensagens positivas de todas as críticas e pressões que recebem.

Existem algumas táticas repassadas pelos psicólogos aos atletas que costumam tirar o peso da cobrança das suas costas. Veja algumas delas:

  • criar pensamentos positivos por meio de diálogos internos;
  • evitar pensamentos que tenham como resultado a ansiedade;
  • evitar pensamentos que remetam a falhas do passado, como quando o atleta vai enfrentar algum adversário para quem ele já tenha perdido;
  • não relacionar a autoestima com o desempenho, ou seja, não condicionar a vitória a sua qualidade como pessoa, dizendo que se não ganhar vai se sentir inútil;
  • concentrar-se nas probabilidades positivas e esquecer as negativas;
  • pensar no estresse e nervosismo como um desafio, e não com medo;
  • converter as declarações negativas recebidas em positivas.                

O estresse e a pressão são fatores constantes na vida dos atletas, sendo muito difícil evitá-los em muitos momentos. Por esse motivo, os esportistas precisam aprender a lidar com esses sentimentos para conseguir tirar proveito dessas situações.

Por muito tempo acreditou-se que o corpo e a mente eram valências que deveriam ser treinadas separadamente. A influência dos pensamentos não era associada ao esporte, e um atleta era treinado apenas sob o aspecto físico, deixando de lado o equilíbrio emocional e tudo o que envolve o desempenho da mente.

Com o tempo, passou-se a reconhecer uma maior relação entre as duas áreas, levando a psicologia esportiva a ser uma área em crescimento. Como podemos perceber, existem muitas possibilidades de intervenção para aqueles que desejam contribuir na carreira dos atletas utilizando a psicologia esportiva, e os clubes e equipes individuais que optarem por isso certamente estarão à frente dos seus adversários.

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